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Estado de São Paulo, domingo, 27/04/2008
Filhos não têm como se defender da displicência, dos excessos ou da irresponsabilidade dos pais Maria Rita Kehl*
No momento em que escrevo este artigo ainda não há conclusões definitivas sobre o assassinato da menina Isabella. Mas desde o primeiro dia a sociedade já havia decidido condenar o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Aos poucos a indignação popular aumentou, orquestrada inescrupulosamente pelos telejornais em disputa por audiência, até se transformar em pura sanha linchadora.
Não me disponho a tentar explicar o que teria levado um pai e uma madrasta a assassinar, ainda que acidentalmente, uma criança, e depois livrar-se do corpo de maneira tão brutal. Fora da clínica e da transferência, o psicanalista é tão leigo quanto qualquer pessoa ante os sintomas e surtos alheios. O que a experiência clínica oferece são algumas chaves para a compreensão das condições subjetivas presentes em uma sociedade, que favorecem certas manifestações aberrantes, violentas e aparentemente incompreensíveis.
Como entender essa torcida em massa para que o pai e a madrasta de Isabella sejam os culpados? Em primeiro lugar, penso que diante dos crimes domésticos as pessoas se sentem menos inseguras do que diante do fantasma da violência social generalizada que assola o país. "Se o crime foi cometido em família, isso é lá problema deles", pensamos, na esperança de que em nossa família essas coisas não aconteçam. Em segundo lugar, a família de Isabella pertence à mesma classe média dos consumidores de jornais e revistas, público alvo dos anunciantes da televisão. No dia 20 de abril, um menino negro de 11 anos foi morto com um tiro na cabeça na favela da Vila União, em São Paulo. Até agora, não vi a imprensa acompanhar a apuração do assassinato do pequeno Jefferson Alves, considerado desinteressante pela sociedade.
É evidente que a figura mitológica da madrasta excita a imaginação popular. A personagem da madrasta má, nas histórias infantis, encobre o lado sombrio da mãe. É ela quem encarna o egoísmo, a rivalidade, a crueldade ou o descaso para com o sofrimento das crianças, de modo a manter a idealização da maternidade biológica e conservar a santa mãe em seu pedestal. No entanto, qualquer psicanalista sabe o quanto as mães são capazes de abusar de seus filhos, rivalizar com suas filhas, violentar a dignidade deles, desrespeitar seus direitos.
O colunista da Folha de S. Paulo Contardo Calligaris fez uma análise interessante sobre o ciúme que algumas madrastas sentem de suas enteadas, disputando com elas o lugar de filhas de seus companheiros. Vale lembrar que a presença do (a) enteado (a) também pode reavivar os ciúmes da madrasta em relação à mulher que a precedeu. Mas nem todas as madrastas odeiam seus enteados. Conheço casos, em meu próprio consultório, em que a presença e a intervenção de madrastas generosas e sensíveis praticamente salvou a infância de filhos maltratados ou abandonados por mães imaturas, que se vingavam do ex-marido maltratando os filhos dele. Evito embarcar em uma defesa conservadora da família "de sangue" em detrimento de outras configurações familiares.
Os crimes domésticos colocam em evidência o desamparo infantil. As crianças não têm como se defender da displicência e da irresponsabilidade dos pais, nem dos excessos de amor, de sensualidade, de ira, de gozo: pais, mães, padrastos, madrastas, avôs e avós abusam de várias maneiras, "por amor", de crianças indefesas. Neste sentido, para a criança, a família não é um ambiente tão seguro quanto se imagina. Pesquisa da Unicef sobre a violência doméstica no Brasil revela que 44,3% dos homicídios de crianças ocorrem dentro de casa, sendo 34,4% deles cometidos por parentes das vítimas. Sem contar os casos de abuso sexual, que ocupam o primeiro lugar na lista das formas de violência familiar.
É evidente que existem famílias tranqüilas, pais e mães equilibrados e protetores. Mas a família moderna, fechada sobre si mesma, toda voltada para a produção de bem-estar, fundada nas formas mais egoístas de amor, é um canteiro propício, no mínimo, à violência psicológica. Os filhos frustram as expectativas dos pais, o amor vira moeda de barganha e chantagem mútua, a esperança de entendimento de parte a parte é freqüentemente obstruída pela culpa que cada um sente por não amar o outro tanto quanto devia.
Apesar disso, não existe nenhuma outra instituição que a substitua. Desejamos formar família, viver em família, criar condições de convívio protetoras, agradáveis. Mas é bom lembrar que se a família, em seus moldes tradicionais, fosse um mar de rosas, Freud não teria criado a psicanálise.
Se a criança é desamparada frente aos que cuidam dela, os adultos de hoje também se sentem desamparados no exercício de suas funções. A vida contemporânea está tão privatizada, tão indiferente a valores ligados ao bem comum, a sociedade tornou-se tão narcisista e infantilizada, que o bem-estar das crianças se tornou praticamente o único ideal dos adultos. Ser "bom pai" tornou-se a razão de viver de adultos que perderam as referências para saber tanto o que é ser "bom" quanto o que é ser "pai" (ou "mãe"). Se os filhos se tornam o único ideal de seus pais, estes não têm mais nada a lhes transmitir a não ser "seja feliz" - isto, numa sociedade em que felicidade se mede pela capacidade de consumo e diversão.
O desamparo do adulto diante das exigências dos filhos, a quem eles próprios prometeram dar "tudo de bom e de melhor", tem resultados patéticos ou, no pior dos casos, trágicos. Algumas crianças, hiperestimuladas e excitadas, ficam cada vez mais insatisfeitas e agressivas enquanto os pais, incapazes de estabelecer limites para a farra que eles mesmos prometeram, vivem exasperados, culpados, impotentes - e às vezes, tão fora de controle quanto os pequenos. Um adulto que se vê incapaz de educar uma criança é capaz de confundir autoridade com violência, poder simbólico com coerção física.
Vez por outra, um desses pais incapazes de colocar limites em seus filhos também corre o risco de perder os próprios limites.
* Maria Rita Kehl, psicanalista, escreveu Sobre Ética e Psicanálise (Companhia das Letras) e Ressentimento (Casa do Psicólogo), entre outros | |
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Escrito por Por Duda às 18h17
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Operações de marketing. A opinião pública é o target. As guerras vendem-se mentindo, tal como se vendem os carros.
Em 1964, os Estados Unidos invadiram o Vietname, porque o Vietname tinha atacado dois navios dos Estados Unidos no Golfo de Tonkin. Quando a guerra já tinha trucidado uma multidão de vietnamitas, o ministro da Defesa, Robert McNamara, reconheceu que o ataque de Tonkin não existira.
Quarenta anos depois, a história repetiu-se no Iraque.
Milhares de anos antes da invasão norte-americana levar a civilização ao Iraque, nesta terra bárbara nasceu o primeiro poema de amor na história mundial. Na língua suméria, escrito no barro, o poema narrou o encontro de uma deusa e um pastor. Inanna, a deusa, amou nessa noite como se fosse mortal. Dumuzi, o pastor, foi imortal enquanto durou essa noite.
* * *
Paradoxos andantes, paradoxos estimulantes:
O Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais belas esculturas da era colonial americana.
O livro de viagens de Marco Pólo, aventura da liberdade, foi escrito na prisão em Génova.
"Don Quixote de La Mancha", uma outra aventura da liberdade, nasceu na prisão de Sevilha.
Foram netos de escravos os negros que criaram o jazz, a mais livre das músicas.
Um dos melhores guitarristas de jazz, o cigano Django Reinhardt, só tinha dois dedos na sua mão esquerda.
Não tinha mãos Grimod de Reynière, o grande mestre da cozinha francesa. Com garfos escrevia, cozinhava e comia.
Escrito por Por Duda às 16h38
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De uma vez por todas decidi escrever no blog, escrever mesmo.
Depois de passar anos sem saber o tema do meu blog, como se um blog precisasse de um tema que não fosse o que eu penso e o que me acontece diariamente finalmente começo a escrever um diário, sem retensões já que ninguém lê mesmo.
Então HOJE (começo original para um diário rssss...) aconteceu uma coisa muito legal comigo, uma das minhas paixões além da minha esposa e filha, esporte mais especificamente Corinthians, é a astronomia.
Estou lendo o Livro de Ouro do Universo que é maravilhoso para um leigo interessado que nem eu. Pois que agora tenho acesso a uma tv conectada a uma parabólica o que me deu uns 20 canais a mais e dentre eles a tv escola, que passa documentários maravilhosos e depois ainda os repete.
Não é que me deparei com uma série inglesa de documentários chamada COSMOS, simplesmente tenho certeza absoluta que inspirou o meu ilustríssimo autor do meu livro a escrevê-lo, até a cronologia dos temas é a mesma, se não, fico com a certeza de que o autor do livro assim como eu um dia já assistiu os documentários, ou conhece pessoalmente o autor da série que tbm a apresenta magnificamente.
Logo percebi que as imagens eram um pouco antigas, fins dos anos 80 acredito, até pelas vestimentas das pessoas quando tinha alguma imagem das cidades e tal, só que no final do episódio tem um a atualização, e o próprio apresentador da série ora jovem aparece bem envelhecido na atualização, informando o que já tinha se descoberto de mais atual nos assuntos tratados no especial, adorei. Realmente é fantástico o documentário, fala de ecologia tbm, é muito bem dublado e tem recursos gráfico que com certeza foram introduzidos nos últimos anos. No mais, prometo fidelidade ao meu blog .
Duda
Escrito por Por Duda às 19h45
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Impunidade
TEXTO LIDO HÁ ALGUNS DIAS PELO VOCALISTA DOS DETONAUTAS NA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO RIO DE JANEIRO
'Os Deputados, Senadores, Prefeitos, Governadores, Ministros e Presidentes desfrutam de muitos privilégios PAGOS com o dinheiro do povo. E nós contamos os corpos...
Seus filhos estudam em colégios particulares e muitos de seus parentes, quando precisam, são atendidos em excelentes hospitais, que não pertencem à rede pública. ANDAM EM CARROS BLINDADOS e moram em locais da cidade protegidos por seguranças particulares. E nós contamos os corpos...
55% dos deputados estaduais residentes nesta Assembléia Legislativa estão respondendo a processos cíveis, criminais ou eleitorais, enquanto você sequer pode prestar concurso público se estiver envolvido em algum processo judicial. E nós contamos os corpos...
Os políticos brasileiros processados por fraudes, corrupção, desvio de verbas ou qualquer crime cometido ao longo de seu mandato TÊM DIREITO A JULGAMENTO EM FORO PRIVILEGIADO. Até o momento, nenhum político envolvido nos crimes e nos escândalos de corrupção que acompanhamos pelos jornais e TVs foi parar atrás das grades. Isso se chama IMPUNIDADE. E nós contamos os corpos...
Verbas que deveriam ser destinadas à Rede Pública de Ensino, aos Hospitais, à Segurança de nossas Comunidades são desviadas por muitos destes cidadãos que deveriam nos defender e nos representar. E nós contamos os corpos...
O Supremo Tribunal Federal retomou dia primeiro de março o julgamento de recurso destinado a garantir o foro privilegiado a 'agentes políticos' processados por improbidade administrativa, mesmo que já tenham deixado o cargo. Dos 11 ministros do STF, seis já votaram a favor dos políticos, e um, contra. Restam votar 4 ministros. A medida, se aprovada, impedirá que ministros de Estado e o Presidente da República sejam fiscalizados por procuradores na primeira instância da Justiça, como ocorre hoje. Além de paralisar os processos em andamento, a decisão do STF permitirá que administradores já condenados possam pedir a RESTITUIÇÃO de valores que foram obrigados a devolver aos cofres públicos. Cerca de 10 mil inquéritos e ações judiciais contra autoridades acusadas de corrupção podem ser arquivadas. Os defensores do foro privilegiado querem que presidentes, ministros, governadores e prefeitos envolvidos em corrupção não sejam mais atingidos pela lei. O Código Penal Brasileiro é de 1940. E nós contamos os corpos...
Um soldado da policia militar ganha 800 reais por mês. Um professor ganha em média 400 reais por mês. Um médico do SUS ganha, em média, 1.500 reais. O Estado gasta, em média, com nossas crianças, 300 reais por mês. Um preso custa aos cofres públicos, em média, 800 reais por mês e todos nós sabemos que o Estado não oferece nas penitenciárias NENHUMA CONDIÇÃO DE REABILITAÇÃO dos apenados, cabendo à sociedade arcar com todos estes custos e mais os salários dos nossos políticos, que passam de QUINZE MIL REAIS mensais. E nós contamos os corpos...
O Rio de Janeiro está em guerra, enquanto nossos representantes não fazem nada. E nós contamos os corpos...
Fim da impunidade. Fim da imunidade parlamentar. Fim do voto secreto no Congresso Nacional. Queremos segurança, educação e saúde de qualidade, pois pagamos por isso. SEM JUSTIÇA, NÃO HÁ PAZ.
Deputados, assumam suas responsabilidades, pois elas são do mesmo tamanho de seus privilégios. Enquanto nós contamos os corpos...
Escrito por Por Duda às 17h30
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Mundinho imundinho
Bom, de volta a Blogar aqui, quero deixar clara a minha indignação com a burocracia burra brasileira. Não se consegue tirar documentos, atendimento médico, não se suporta mais o trânsito e as ruas cheias de buracos, não tem segurança, não tem educação, não tem comida, não tem serviço público que preste ( a não ser que vc tenha um amigo deputado ). É impossível prestar serviço pro governo, vender algo pro governo e ajudar o governo também não dá, eles nem te recebem. O presidente é um traira, ganhou e mudou de lado na cara de pau. A seleção é só politicagem, a imprensa é comprada. Parece que todo mundo que tem dinheiro é bandido, se não é passa por tal, pq tbm não adianta ser rico se todo o resto é pobre. O incrível é que o cara passa fome sentado na frente do supermercado. Você paga imposto pra tudo, desconta na hora de receber o salário, aí com o que sobrou vc vai às compras, paga imposto de novo, paga o médico que devia ser pago pelo governo mas não é, paga imposto de novo. Tem que dar esmola pro cara não morrer de fome na frente do supermercado, tá fazendo trabalho do governo. Dinheiro pro menino de 10 anos que limpa o vidro do carro, trabalho do governo de novo. O lixeiro passa recolhendo o lixo e pedindo "caixinha" pq o salário dele não dá pra nada, irpf, iss, icms, CPMF...Deus!
Os políticos aumentam seu próprio salário direto e, vamos ser francos, colocamos um monte de cafajestes nos cargos públicos, qualquer um com apelido engraçado, que faz piada boa no horário político. Todo mundo apronta pro povo brasileiro, é deputado, prefeito, governador, até o Presidente, e a gente não quebra nada, não faz nada, só chora e reclama baixinho. Que me desculpe quem respeita os mortos, pq pra respeitar um morto eu só respeito se esse o merecia em vida, mas o que foi aquilo no enterro do ACM? Será que é o herói da Bahia com capa feita de rede e luvas de casca de côco? O cara roubou milhões e foi enterrado como herói, ô povo Burro, já tô até imaginando quando o Jader Barbalho morrer, pq um dia ele vai morrer né? Eu vou e ele vai também - ahh! vai ser uma coisa... A cidade vai parar, pq se tem um povo Burro, que há anos vem sendo enganado pelo seus líderes(que nem são tão inteligentes assim)infelizmente somos nós.
Escrito por Por Duda às 17h03
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Ufa...de volta!!!
Bem queridos habitantes do planeta Terra, depois de perder a minha senha finalmente consegui recuperar o meu Blog, pois a partir de agora estaremos de novo em contato, eu com o Mundo, escrevendo o que me der na telha, aguardem.
Escrito por Eduardo Rocha às 13h48
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